terça-feira, 30 de agosto de 2011

Enquete no site do senado

Olá Pessoal,
Há uma enquete no site do senado pesquisando a opinião publica sobre um projeto de lei que vai colocar corrupção no rol dos crimes hediondos.

Vamos convocar os amigos internautas para uma avalanche a favor da tipificação da corrupção como crime hediondo.

Acesse o link abaixo e a enquete está na barra do lado direito na:

http://www.senado.gov.br/noticias/principal.aspx

Nota pública: Fundação Abrinq é contra Ideb na porta da escola

A Fundação Abrinq – Save the Children declara seu posicionamento contrário à proposta em estudo pelo Congresso Nacional que obriga as escolas a colocarem na porta da unidade a nota que obtiveram no Índice da Educação Básica (Ideb) por acreditar que expõe os alunos a constrangimento e vexame vetados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)  nos artigos:
  • Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
  • Art. 17 - O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.
  • Art. 18 - É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

Para a Fundação Abrinq – Save the Children não resta dúvida da inconstitucionalidade da medida amparada na Constituição Federal, no artigo 227:

“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”



Amélia Bampi
Educação
Fundação Abrinq
55 11 3848-4856

Na pauta, projeto que estende a professores mesmo reajuste de senadores - Agência Senado

Projeto dos senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Pedro Simon (PMDB-RS) que estende ao Piso Salarial Profissional Nacional dos Professores o mesmo reajuste concedido anualmente aos senadores está agendado para exame na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) na próxima terça-feira (30). A relatora, senadora Ana Rita (PT-ES), apresentou substitutivo ao projeto (PLS 325/2010), com solução que considera mais compatível com a capacidade financeira de estados e municípios.
Pela proposta da relatora, além do reajuste já previsto em lei com base na variação do valor mínimo anual por aluno, investimento a cargo de estados e municípios, o piso dos salários dos professores da rede pública da educação básica deve incorporar um adicional de um quarto do percentual do aumento obtido pelos senadores em 2011, de 61,78%. Esse acréscimo seria mantido até o piso corresponder ao dobro do valor real que tinha em 2009, de R$ 950,00. Sem considerar a inflação, seria elevar o piso até que chegasse a R$ 1.900,00.
O projeto original associa duas regras: concede aos professores o já previsto percentual de aumento do valor mínimo por aluno, mas prevalecendo, se maior, o reajuste concedido no mesmo período aos senadores.
Equiparação ao Supremo
A proposta de Cristovam e Simon surgiu logo após o Congresso aprovar, em dezembro do ano passado, lei que equiparou os salários de senadores, deputados, ministros de estado, vice-presidente e presidente da Republica aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
Os autores justificaram à época que a extensão aos professores seria uma "mínima demonstração de interesse do Senado com a educação e com a própria credibilidade". Destacaram que havia uma desigualdade substancial entre o que se pagava a um parlamentar e aos professores, com consequências consideradas desastrosas para o futuro do país.
Em seu relatório, Ana Rita afirma que a valorização dos profissionais da educação, principalmente dos professores da educação básica, não somente preocupa como "atormenta a consciência de todos os parlamentares". Considerou ainda que não haverá qualidade na educação enquanto professores, pela baixa remuneração, "forem obrigados a múltiplas jornadas de trabalho e a duplos empregos".
Mas ressalvou que o projeto, principalmente no que se refere a reajuste imediato de 61,78%, seria de difícil absorção, "de um só golpe", pelos orçamentos estaduais e municipais em 2011. Até porque, conforme sua análise, não seria coerente comparar o volume de despesas exigido por 81 senadores com o montante necessário para o aumento dos salários de até 2 milhões de professores.
Se aprovado na CE, o projeto seguirá depois para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde receberá decisão terminativa.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

BIBLIOTECA MUNDIAL DA ONU, uma MARAVILHA!!!

Colegas
A ONU criou uma Biblioteca Mundial, que está à disposição para milhares de consultas sob os mais diferentes temas, épocas e lugares. A descrição abaixo visa motivar a navegação pelos imensos mares desse acervo. Fiz experiência e fiqjuei admirado e encantado com o que se pode encontrar...
Não sei se o texto a seguir é das pessoas abaixo dele relacionadas.
Abraço
Vital Didonet
 
 
“BIBLIOTECA MUNDIAL DA ONU”
Já está disponível na Internet
:
www.wdl.org

Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.

Tem, sobre tudo, caráter patrimonial",  antecipou em LA NACION Abdelaziz Abid, coordenador do projeto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições. A BDM não oferecerá documentos correntes, a não ser "com valor de patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes: árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas".
Entre os documentos mais antigos há alguns códices pré-colombianos, graças à contribuição do México, e os primeiros mapas da América, desenhados por Diego Gutiérrez para o rei de Espanha em 1562", explicou Abid.

Os tesouros incluem o Hyakumanto darani , um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos azetecas que constitui a primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes desvelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia.

Fácil de navegar:

Cada jóia da cultura universal aparece acompanhada de uma breve explicação do seu conteúdo e seu significado. Os documentos foram passados por scanners e incorporados no seu idioma original, mas as explicações aparecem em sete línguas, entre elas O PORTUGUÊS. A biblioteca começa com 1200 documentos, mas foi pensada para receber um número ilimitado de textos, gravados, mapas, fotografias e ilustrações.

Como se acede ao sítio global?

Embora seja apresentado oficialmente na sede da UNESCO, em Paris, a Biblioteca Digital Mundial já está disponível na Internet, através do sítio:  
http://www.wdl. org/
O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar diretamente pela Web , sem necessidade de se registrarem.

Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português), embora os originas existam na sua língua original.

Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840. Com um simples clique, podem-se passar as páginas de um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cômoda e minuciosa.

Entre as jóias que contem no momento a BDM está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das "Fábulas" de Lafontaine, o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg, e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A.C.

Duas regiões do mundo estão particularmente bem representadas: América Latina e Médio Oriente. Isso deve-se à ativa participação da Biblioteca Nacional do Brasil, à biblioteca de Alexandria no Egito e à Universidade Rei Abdulá da Arábia Saudita.

A estrutura da BDM foi decalcada do projeto de digitalização da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que começou em 1991 e atualmente contém 11 milhões de documentos em linha.

Os seus responsáveis afirmam que a BDM está sobretudo destinada a investigadores, professores e alunos. Mas a importância que reveste esse sítio vai muito além da incitação ao estudo das novas gerações que vivem num mundo áudio-visual.

NÃO DEIXE A EDUCAÇÃO SER JOGADA PARA ESCANTEIO

MAIS EDUCAÇÃO, MENOS REMOÇÃO: SOMOS TODOS ATINGID@S!

A classe trabalhadora cearense vem assistindo, quanto mais próximo estamos da Copa do Mundo de 2014, a uma série impactos que os empreendimentos para a realização do megaevento irá desencadear.

Já temos toda uma série de questionamentos por parte do Ministério Público Federal à forma de condução, do governo do Estado em relação as obras como o Veículo Leve sobre Trilhos: ausência de participação real; não divulgação de informações sobre as obras; ausência de licenciamento ambiental para início de qualquer ato de início da obra; desobediência à legislação urbanística;

Esses questionamentos demonstram de que forma o governo pretende “passar por cima” daqueles que contestam as razões de tanto investimento em obras não estruturais e que buscam privilegiar um determinado público turístico que estará aqui durante os jogos.
Temos clareza que essas intervenções fazem parte de uma lógica voltada para a “limpeza social”, com claro intuito de remover a população pobre de determinadas áreas (não é a toa que as principais remoções apontadas são em áreas nobres da cidade), atuando o Estado como facilitador do capital imobiliário e de sua especulação.

Nesse mesmo cenário assistimos à luta dos professor@s em busca de um direito assegurado em lei: o piso salarial. Desde 5 de agosto os professores estaduais estão em greve pela aplicação da lei do Piso a todas as carreiras. 
 
Enquanto o Governo do Estado se nega a pagar o piso ainda vergonhoso de 1.187,14*, defendendo o argumento cínico já rejeitado pelo STF de inscontitucionalidade e falta de recursos para atendimento da Lei, promete gastar R$ 90 milhões para remover 10.00 famílias ao longo para realizar o trajeto do VLT, pagando indenizações ilegais, e R$250 milhõe para construir o Aquário.
 
È importante afirmarmos que todas as intervenções para a Copa do Mundo implicarão em aumento do endividamento do Estado, em nome de um desenvolvimento que só beneficia a poucos, e que buscará, como todo governo sem compromisso com a maioria de sua população, diminuir investimentos em educação, saúde, saneamento. Esse impacto será sentido por todos nós.
 
O governo federal, estadual e municipal estão mancomunados com a FIFA, a especulação imobiliária e a rede hoteleira. De  cara dura querem tirar dos bolso dos trabalhadores para financiar obras faraônicas e remoções, alem de massacrar o funcionalismo público. Nenhuma categoria resistirá sozinha a este projeto, por isso em Fortaleza e no Brasil chamamos a formação do Comitê Popular da Copa, no sentido de reunir forças para derrotá-lo.

Apoiamos a greve dos professor@s e nos somamos em um único grito: somos todos atingidos pela COPA!

domingo, 19 de junho de 2011

À PARTIR DE SEGUNDA-FEIRA (20/06/2011), ESTAREMOS ACAMPANDOS EM FRENTE À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA:

SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS EM EDUCAÇÃO NO AMAPÁ – SINSEPEAP
NOTA À POPULAÇÃO DO AMAPÁ

O SINSEPEAP vem a público esclarecer os motivos pelos quais , os Sindicalizados decidiram dar continuidade a Paralisação da categoria, até Segunda 23/05/2011 e Greve geral a partir de 24/05/2011 (terça-feira).

1. Pela revogação da Lei n.º 1.540/201 sancionada pelo Governador, que trata da retirada de direitos adquiridos pelos Servidores Públicos em exercícios anteriores;
2. Pela manutenção da Lei 0663/2002 que versa sobre a Regulamentação dos Índices de Reajustes anuais para os Servidores Públicos do Estado.
3. Combater o Assédio Moral que os Servidores vêm sofrendo nas escolas e nas repartições públicas estaduais;
4. Pela falta de respeito ao quantitativo de alunos nas salas de aula (super lotação).
5. Falta de condições de trabalho e de estrutura física nas escolas;
6. Pelo aumento arbitrário do número de aulas do Professor, ferindo o que estabelece o Plano de Cargos, Carreiras e Salários da Educação;
7. Pela implementação da Lei do Piso Salarial Nacional, que reajusta os salários dos profissionais da educação do Amapá em 16% para o ano de 2011.
8. Pela implementação da merenda regionalizada em todas as escolas estaduais já!
9. Pelo respeito aos Direitos dos Trabalhadores Estaduais, como: Progressão, Licença Prêmio, Licença Saúde, etc.
10. Pela manutenção e respeito ao Plano de Cargos, Carreiras e Salários do Magistério.
11. Pela implementação da Lei da Gestão Democrática.

Por todos os motivos expostos, pedimos a compreensão e apoio de toda a população amapaense, para que juntos possamos sensibilizar o Governo Estadual no sentido de viabilizarmos o encerramento mais breve possível desta greve, uma vez, que a decisão encontra-se nas mãos do Excelentíssimo Senhor Governador.


“JUSTIÇA AOS CAPIBERIBES, FAÇA VALER SEU VOTO”
“JUSTIÇA AOS TRABALHADORES E A POPULAÇÃO AMAPAENSE, FAÇA VALER A DEMOCRACIA”

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Rejeitada proposta de instituição de creches domic iliares no Brasil

Alguns parlamentares, em especial Fátima Bezerra (PT/RN e presidenta da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados - CEC) acabam de me ligar para informar que a CEC rejeitou por unanimidade o PL que propunha a instituição de creches domiciliares no Brasil.
Os parlamentares elogiaram o apoio da Campanha (nos bastidores) ao protagonismo do Mieib em enfrentar essa questão, que fundamentalmente é uma vitória desse intenso e imenso movimento.
Assim, quero reforçar meu orgulho de ter o Mieib em nosso Comitê Diretivo. Aproveito também para agradecer ao Vilmar por seu tão dedicado e cuidadoso esforço de aproximação do Comitê Diretivo do Mieib da Coordenação Geral da Campanha. Nunca estivemos tão próximos...
Gente, hora de comemorar!
Abração,
Daniel.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Criança não trabalha

Criança não trabalha
Por que ainda existem 4,2 milhões de crianças trabalhando no país?
por Mariana Mainenti
marianamainenti.df@dabr.com.br
Mais de quatro milhões de
brasileirinhos despertam cedo todos
os dias para garantir a sua
sobrevivência. Com o cansaço da
labuta, os estudos ficam em segundo,
terceiro ou nenhum plano. Em
reportagens publicadas no último fim
de semana, o Correio mostrou a rotina
dos pequenos que trabalham bem
debaixo do nariz daqueles que têm o
poder de mudar essa realidade.
No Plano Piloto, onde está situado
o comando do país, parando em um
semáforo, foi possível encontrar o
garoto Lucas* pedindo esmolas —
trabalho que é acompanhado pela
mãe dele à distância. Mãe e filho são
de Planaltina, satélite para a qual o
GDF não encaminhou qualquer caso
de criança trabalhadora em 2011,
segundo informou o Conselho Tutelar.
Na Cidade Estrutural, a reportagem
deparou-se com Vitória*. Com
apenas sete anos, ela tem as mãos
machucadas por revirar diariamente
o lixo atrás de ferragens para vender
a uma cooperativa.
Em comum, eles têm a pobreza.
Os dados preliminares do Censo 2010,
apresentados pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística,
mostraram que há muito mais Lucas
e Vitórias no país do que se poderia
imaginar. Entre os extremamente
pobres, mais da metade (50,9%)
encontra-se em idades até 19 anos.
Os menores são de famílias com
rendimento nominal mensal de até R$
70,00 per capita. São essas as
crianças às quais não conseguiu
chegar o mesmo Estado que elevou
30 milhões de brasileiros à classe
média.
Paradoxalmente, em relatório
divulgado na última sexta-feira, a
Organização Internacional do
Trabalho (OIT) elogiou o modelo do
Programa de Erradicação do Trabalho
Infantil (Peti) e ressaltou o fato de ele
estar sendo, inclusive, exportado para
outros países. O principal êxito,
acredita a OIT, está no Bolsa Família.
Mas, se as políticas públicas
brasileiras servem de farol em nível
mundial, por que ainda existem 4,2
milhões de crianças trabalhando no
país? Para o coordenador do
Programa Internacional para a
Eliminação do Trabalho Infantil para
a OIT no Brasil, Renato Mendes, o
problema está na distância entre o
desenvolvimento dos projetos em nível
federal e a aplicação deles por
estados e municípios.
Invisibilidade
O DF é um caso emblemático. No
Plano Piloto, as crianças que vêm das
satélites e do Entorno trabalham
vendendo doces nos sinais de trânsito
e nos bares; catando lixo para
reciclagem; e como domésticas nas
casas de família que somam o segundo
maior Produto Interno Bruto per
capita do país. Mas elas parecem
invisíveis aos olhos das autoridades
responsáveis. Os que trabalham na
Esplanada dos Ministérios as
consideram problema local. O GDF,
por sua vez, não se esforça para
incluí-las em programas sociais porque
elas residem fora do Plano Piloto. E,
para as satélites e o Entorno, fica fácil
fazer vista grossa, já que as atividades
laborais acontecem em Brasília.
A falta de articulação entre as
instâncias federal, estadual e municipal
somada à ausência de um projeto
consistente de educação em tempo
integral constituem o principal
empecilho para que o país deixe para
trás a realidade do trabalho infantil. E
não é apenas o futuro dessas crianças
que está em jogo, é também o do país.
Não é à toa que dez em cada dez
empresários apontam o problema
educacional como um dos principais
empecilhos aos investimentos.
Como bem disseram os
compositores Arnaldo Antunes e
Paulo Tatit no refrão da música que
ficou conhecida de pais e filhos nas
vozes dos integrantes do premiado
grupo Palavra Cantada, Criança não
trabalha, criança dá trabalho. Sim,
senhores governantes, criança dá
trabalho mesmo, mas nada que não
se resolva com um pouco mais de
vontade política. Se os adultos fizerem
a sua parte, elas não mais precisarão
trabalhar.
* Nomes fictícios
Mariana Mainenti é subeditora de
Economia
CORREIO BRAZILIENSE

Fundação Itaú Social que distribuir gratuitamente 16 milhões de livros

Prezad@s,
Tal qual em 2010, escrevemos para divulgar a iniciativa da Fundação Itaú Social que visa distribuir gratuitamente 16 milhões de livros com o objetivo de incentivar a leitura. 
Somente pessoas físicas podem solicitar o kit que possui 4 livros infantis ilustrados, sendo que, cada pessoa física pode cadastra-se apenas uma única vez. Infelizmente, não existe a possibilidade de pedir vários kits para distribuição em larga escala.
Para maiores informações acessem http://www.lerfazcrescer.com.br
Abraços!
Vilmar Klemann.
 
Fonte: Vilmar Klemann (Secretário Executivo do MIEIB)

domingo, 5 de junho de 2011

Audiência pública discute educação inclusiva e especial no PNE

Audiência pública discute educação inclusiva e especial no PNE
Emendas do “PNE pra Valer!” foram entregues por deficientes e estudantes. As emendas estão disponíveis no site do movimento "PNE pra Valer!", lançado hoje (terça-feira, 31/5): www.pnepravaler.org.br. Os parlamentares que subscreverem as emendas terão seus nomes publicados no site.
Um grupo do movimento "PNE pra Valer!", coordenado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, entregou aos parlamentares da Comissão Especial do PL 8035/2010 (Plano Nacional de Educação) um conjunto de 101 emendas elaboradas pela sociedade civil. A entrega aconteceu na tarde desta terça-feira, 31 de maio, durante audiência pública sobre educação especial no PNE, realizada na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Ao receber as emendas das mãos de Davi Souza, jovem cearense de 21 anos, que sofre de lesão cerebral e é membro titular do Conjuve (Conselho Nacional da Juventude), o presidente da Comissão Especial, deputado Gastão Vieira (PMDB-MA) destacou que no primeiro seminário estadual realizado pela CE em Fortaleza, o grupo do Ceará trouxe de maneira definitiva para a Comissão o tema da educação inclusiva.
O plenário estava cheio e 35 deputados compareceram à audiência. Ao se dirigir ao público, o jovem Davi Souza afirmou que “educação não é um favor, mas um direito e que educação só é educação de verdade se acontecer na escola comum, e para todos”.
Inclusão com aprendizagem – A secretária municipal de educação de São Bernardo do Campo, Cleusa Repulho, presidenta da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), apresentou as emendas do “PNE pra Valer!”. Ela ressaltou a emenda que pede a substituição do termo “fomentar” por “expandir” a educação inclusiva e a emenda que defende o estabelecimento de custo real para o atendimento de estudantes com deficiência em escolas regulares. “Não basta incluir para socializar, temos que garantir a aprendizagem das crianças, com atendimento adequado”.
Nesse sentido, destacou que as salas de recursos precisam ser melhoradas e ampliadas, a formação de professores garantida, assim como a adequação arquitetônica das escolas, a oferta de transporte e de educação bilíngüe (língua
portuguesa a e libras). “É preciso que os parlamentares considerem, na discussão do PNE, as deliberações da Conae. Eu falo do ponto de vista de quem está na ponta, de quem abre concurso para professores bilíngües e não consegue preencher todas as vagas”, apelou a secretária.
Também foram expositores o Secretário de Educação do Estado do Paraná, Flávio Arns, representando o Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), e Cláudia Dutra, titular da Secadi (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão) do MEC. “O Consed entende que o PNE deve manter o que está escrito na Constituição, ou seja, que as pessoas com deficiência devem ser atendidas preferencialmente e não exclusivamente em escolas regulares. Ou seja, alternativas de atendimento podem e devem ser organizadas, a depender do tipo de deficiência”, defendeu o secretário.
Já Claudia Dutra lembrou que a Convenção de Salamanca, adotada no Brasil desde 2009 pelo decreto federal 6.649, fala em acesso e permanência. Trata-se de resolução das Nações Unidas de 2004, que define princípios, políticas e práticas em educação inclusiva. De acordo com a titular da Secadi, em 2000, 13 mil escolas públicas tinham matrículas de pessoas com deficiência; hoje são 84 mil escolas no país.
Um grupo formado por 11 jovens estudantes de ensino médio do DF, integrantes do projeto Onda Jovem, do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), por 5 deficientes visuais da Biblioteca Braille Dorina Nowill, de Taquatinga, por Davi Souza, membro do Conjuve e sua acompanhante, Keila Chaves, do Campe (Centro de Apoio às Mães de Portadores de Eficiência), de Fortaleza, representou o movimento “Fundeb pra Valer” e fez a entrega das 101 emendas.
O que é o movimento "PNE pra Valer!" – Desde que a proposta de PNE foi divulgada pelo Poder Executivo Federal, em dezembro de 2010, um amplo e plural grupo de pessoas, organizações, redes e movimentos vinculados à Campanha Nacional pelo Direito à Educação e engajados no movimento "PNE pra Valer!" vem se dedicando a analisar a proposta e a produzir emendas com o objetivo de contribuir para que este Plano reflita as deliberações da Conae (Conferência Nacional de Educação), os anseios e as necessidades da educação pública brasileira, e que seja resultado de um amplo trabalho coletivo e colaborativo entre os diversos atores que fazem a educação em nosso País. Todos os documentos e notícias produzidos pelo movimento podem ser acessados no site www.pnepravaler.org.br
A Campanha Nacional pelo Direito à Educação(www.campanhaeducacao.org.br) é uma rede da sociedade civil que tem como missão atuar pela efetivação e ampliação dos direitos educacionais para que todas as pessoas tenham garantido seu direito a uma educação pública, gratuita e de qualidade no Brasil. É considerada a articulação mais ampla e plural no campo da educação básica no Brasil, constituindo-se como uma
rede que articula mais de 200 grupos e entidades distribuídas por todo o País. Em outubro de 2007, a Campanha recebeu do Congresso Nacional o prêmio Darcy Ribeiro, por sua bem-sucedida atuação de incidência política no processo de criação do Fundeb (Fundo da Educação Básica).
Fontes para a imprensa
Keila Chaves e David Souza – Campe (Centro de Apoio às Mães de Portadores de Eficiência) – CE
Claudia Werneck – superintendente da ONG Escola de Gente – RJ
Daniel Cara – coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Contatos para a imprensa
Andressa Pellanda – andressa@campanhaeducacao.org.br
Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Tel.: (+55 11) 3159-1243
Cel.: (+55 11) 8793-7711

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O desafio de ensinar a língua para todos

A polêmica sobre o "falar popular" revela a necessidade de dialogar com os alunos não familiarizados com a norma-padrão

- Qué apanhá sordado?
- O quê?
- Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada.
É óbvio: o célebre poema O Capoeira, de Oswald de Andrade (1890-1954), está quase integralmente em desacordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa. Isso não impede, entretanto, que Pau Brasil, o livro de 1925 em que o texto está incluído, seja estudado nas escolas e frequente as listas de leitura obrigatória das mais concorridas universidades do país.
Do regionalismo de Jorge Amado à prosa contemporânea da literatura marginal, passando pelo modernismo de Mário de Andrade e Guimarães Rosa, refletir sobre as variedades populares da língua, típicas da fala, tem sido uma maneira eficaz de levar os alunos a compreender as formas de expressão de diferentes grupos sociais, a diversidade linguística de nosso país e a constatação de que a língua é dinâmica e se reinventa dia a dia.
A discussão, porém, tomou um caminho diferente no caso do livro Por Uma Vida Melhor, volume de Língua Portuguesa destinado às séries finais na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Um excerto do capítulo "Escrever É Diferente de Falar" foi entendido como uma defesa do "falar errado". Muitas pessoas expressaram o temor de que isso representasse uma tentativa de desqualificar o ensino das regras gramaticais e ortográficas que regem a Língua Portuguesa. De fato, não se pode discutir que o papel da escola é (e deve continuar sendo) ensinar a norma culta da língua.
Conhecer e dominar a comunicação segundo o padrão formal representa, sem dúvida, um caminho poderoso para a ascensão econômica e social de indivíduos e grupos. Acima de tudo, é uma das maneiras mais eficazes por meio das quais a escola realiza a inclusão social: permitir o acesso a jornais, revistas e livros é abrir as portas para todo o conhecimento científico e filosófico que a humanidade acumulou desde que a escrita foi inventada.
Mas, afinal, do ponto de vista da prática pedagógica, está correto contemplar nas aulas a reflexão sobre as variantes populares da língua? A resposta é sim. A questão ganhou relevância com a universalização do ensino nas três últimas décadas. Com a democratização do acesso à Educação, a escola passou a receber populações não familiarizadas com a norma-padrão. Nesse percurso, surgiu a tese de que falar "errado" representava um impedimento para aprender a escrever "certo". Pesquisas na área de didática mostraram exatamente o contrário: o contato com a norma culta da escrita impacta a oralidade. Ao escrever do jeito previsto pelas gramáticas, o aluno tende a incorporar à fala as estruturas e expressões que aprendeu.

Fonte: site da revista nova escola

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Envio o convite para o lançamento de uma obra de minha autoria. Um abraço. Marcos Cordiolli

O livro Currículo escolar: teorias e práticas, de autoria de Marcos Cordiolli, lançado na 18ª edição da EDUCADOR/EDUCAR , em São Paulo de 18 a 21 de maio de 2011.
Currículo escolar: teorias e práticas apresenta o currículo como expressão de trajetórias escolares – sejam as propostas ou as realizadas. Em suas diversas metamorfoses, o currículo escolar, aparece como documento escrito, sistematizando programas e roteiros de estudos; que são convertidos em planejamentos pedagógicos e planos de aula; que orientam (ou deveriam orientar) as ações educativas em sala de aula convertendo-o em currículos praticados (inclusive na dimensão oculta); e que produzirá efeitos sobre as identidades dos estudantes que foram submetidos a processos escolares sob a sua orientação.
Currículo escolar: teorias e práticas também sistematiza os grandes campos da teoria curricular: as funcionalistas, críticas, pós-criticas e fenomenológica e examina as formas e práticas de organização dos conteúdos nos currículos escolares, tais como os ciclos de formação; os movimentos pedagógicos identificados com a Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade; e encaminhamentos metodológicos para formação de valores e padrões de condutas em sala de aula.
Serviço:
Dia: 18/05 – 17h15
Local:

Livro Currículo Escolar: Teorias e Práticas

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O tamanho do desafio da Educação no Brasil

Por Edna Lopes

link para este texto:http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2971724





“Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso, aprendemos sempre".  Paulo Freire

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” Nelson Mandela
“A boa educação é moeda de ouro. Em toda parte tem valor.” Padre Antonio Vieira

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Cora Coralina
“A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram.” Jean Piaget


               As citações acima abriram a cada dia a série sobre educação pública numa emissora de TV do país. A cada dia um aspecto, um retrato da escola em diversas regiões foi ressaltado, deixando bem claro que ou o quadro muda, ou o discurso que prega o desenvolvimento desse país não se sustenta.
         Esta semana,  o Congresso Nacional
também deu início às audiências públicas para debater o Plano Nacional de Educação. O novo PNE deverá traçar as diretrizes e metas para a educação brasileira na próxima década e em muitos estados as comissões de educação das Assembléias Legislativas realizaram também audiências públicas convidando a sociedade para o debate e mobilização, pois o Projeto de Lei (PL nº 8035/10) que está tramitando no congresso tem fragilidades e problemas que devem ser do conhecimento de toda sociedade, afinal será um plano para o país.
           Para quem participou,  como eu, de toda movimentação em razão das conferências municipais e estaduais que culminaram com a CONAE em 2010 deve ter o compromisso não só acompanhar a tramitação do Projeto de Lei, mas participar de toda mobilização para que seja aprovado o quanto antes.
           Enquanto fazia a minha fala na casa legislativa de Alagoas, lembrei que a insensibilidade e o desrespeito de alguns para com a educação e educadores desse estado e desse país quer nos imputar a responsabilidade pelo caos e nada mais oportuno do que as reportagens desta semana para dar uma ideia de como andam as escolas, a merenda, os professores da educação pública e de quem é de fato, a responsabilidade por tudo isso.
            Na crônica O Retrato do descaso na oferta dos serviços públicos em Alagoas – O caso da Educação, que publiquei outro dia, descrevi alguns problemas vivenciados pelas escolas, os estudantes e os educadores de Alagoas e não vou me repetir, mas espero que quem tenha alguma dúvida vá conferir, na prática, o que a falta de seriedade com a educação tem produzido aqui, ali e alhures.
          
Quero ratificar a importância da Educação como política de Estado, como estratégia para que o país se desenvolva, com justiça social e respeito às diferenças, garantindo o direito a todos e a todas a  uma educação de qualidade, em escolas públicas que possibilitem o resgate da admiração e do respeito a quem nelas estude e trabalhe.
 


Alguns desafios que teremos de enfrentar:
a. Incluir 1,4 milhão de crianças de quatro e cinco anos até 2016;
b. Incluir 1,5 milhão de jovens entre 15 e 17 anos até 2016;
c. Garantir uma melhor proporção entre ensino público e privado na educação superior e aumentar o cobertura escolar na faixa entre 18 e 24 anos.
d. Incluir de forma mais significativa crianças de zero a três anos em atendimento de creche pública.
e. Sair do 53º lugar na prova da OCDE (PISA) ou então melhorar a qualidade do aprendizado de nossos alunos;
f. Alcançar um padrão mínimo de qualidade, especialmente nos estados mais pobres, promovendo uma maior equidade na distribuição dos insumos educacionais entre estados, municípios e regiões.
g. Pagar um salário digno para os professores, tornando a profissão atrativa.

Fonte: Blog do Luiz Araújo

Edna Lopes
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=24584

quarta-feira, 11 de maio de 2011

DESAFIO EM EDUCAÇÃO

Um plano para erradicar o analfabetismo
até 2020
Projeto de lei estabelece 20 metas para mudar cenário educacional
no país em quase uma década
O Plano Nacional de Educação,
projeto de lei que tramita na Câmara
dos Deputados, estabelece 20 metas
a cumprir até 2020 – entre elas,
erradicar o analfabetismo e aumentar
o investimento no setor, até alcançar
o índice de 7% do Produto Interno
Bruto (PIB) do país.
Em um encontro promovido pelo
movimento Todos pela Educação,
em São Paulo, representantes do
Ministério da Educação (MEC), do
Conselho Nacional de Educação e
especialistas discutiram os prós e os
contras do plano.
O projeto, que reúne objetivos
relacionados ao desenvolvimento
dos alunos, à formação de
professores e ao financiamento da
educação está sendo discutido em
uma comissão especial da Câmara.
A estimativa é de que seja aprovado
até o fim deste ano.
Entre as metas, estão oferecer
educação em tempo integral em 50%
das escolas públicas de educação
básica e universalizar o atendimento
escolar para estudantes com
deficiência, transtornos de
desenvolvimento e altas habilidades
ou superdotação.
Mais quantidade, menos
qualidade
Para Ricardo Martins, cientista
econômico membro da Comissão
Técnica do Todos pela Educação, o
plano dá ênfase maior à quantidade
e deveria dar mais atenção à
qualidade.
– Falta um diagnóstico da
educação brasileira no plano e ainda
uma estimativa de custos que mostre
como a sociedade vai repartir essa
responsabilidade. Estamos em um
momento em que, mais do que o
direito de acesso à educação, o
importante é o direito de aprender,
o direito da qualidade – diz.
O presidente do Conselho
Nacional de Educação, Antonio
Carlos Ronca, elogiou o avanço do
projeto em relação ao anterior, mas
criticou o índice de 7% do PIB:
– O plano atual é melhor do que
o anterior, mas falta clareza na meta
em relação ao PIB. Não está
sinalizada a urgência da educação.
Falta dizer quanto vamos investir, dar
uma arrancada.
Carlos Abicalil, secretário de
Educação Especial do MEC,
salientou a importância de o novo
plano colocar em seu texto a
estratégia de confrontar os resultados
obtidos no Índice de
Desenvolvimento da Educação
Básica (Ideb) com a média dos
resultados em matemática, leitura e
ciências das provas do Programa
Internacional de Avaliação de Alunos
(Pisa).
*Ângela Ravazzolo viajou a São
Paulo a convite do Movimento Todos
Pela Educação
ÂNGELA RAVAZZOLO* | São
Paulo

A reforma do ensino médio

A reforma do ensino médio
Com o objetivo de adequar as três séries finais do ensino
básico às demandas do mercado de trabalho, onde há uma
grande carência de mão de obra qualificada, o Conselho
Nacional de Educação (CNE) aprovou novas diretrizes
para o ensino médio, incentivando as escolas públicas e
particulares a elaborar currículos mais flexíveis e
permitindo que os alunos dos cursos noturnos tenham mais
tempo para concluir os estudos.
Com 10 milhões de alunos matriculados, o nível médio
de ensino é o principal gargalo do sistema educacional.
Ele não prepara os alunos nem para o mercado de trabalho
nem para os exames vestibulares. Tem um currículo
generalista, pouco atraente e distante do ambiente social,
econômico e cultural em que os estudantes vivem. Por
isso, o ensino médio tem alta taxa de evasão - segundo o
IBGE, 40% dos alunos abandonam o curso por desinteresse
e 27% por razões de trabalho e renda.
De todos os ciclos educacionais, o ensino médio é o
que mais carece de qualidade. Os dados do Índice da
Educação Básica, de 2009, mostram que os estudantes do
ensino médio têm graves dificuldades em português e
matemática. A maioria não consegue fazer uma redação
com um mínimo de rigor lógico, identificar a ideia central
de um texto ou fazer contas mais complexas, que exigem
conhecimento de álgebra.
Pelas novas diretrizes do CNE, as escolas poderão
organizar o ensino médio em torno de quatro grandes áreas
- trabalho, tecnologia, ciência e cultura - e terão autonomia
para distribuir a carga horária de cada uma delas conforme
as especificidades regionais. Assim, embora continuem
obrigadas a ensinar matemática, português, ciência,
filosofia e sociologia, as escolas localizadas em cidades
industriais poderão dar prioridade a tecnologia e trabalho,
ampliando o peso de disciplinas como física e química no
currículo. Já as escolas situadas em regiões turísticas
poderão escolher a área de cultura como eixo de atuação,
dando mais espaço para matérias como história e
geografia.
As diretrizes do CNE também autorizam as escolas a
manter o currículo atual, que combina as quatro áreas sem,
contudo, dar ênfase a qualquer uma delas. No caso dos
cursos noturnos, onde estudam 40% dos alunos do ensino
médio, o CNE permite que até 20% das aulas sejam
oferecidas com base no ensino a distância e autoriza as
escolas a distribuir a carga horária mínima do ciclo - de
2,4 mil horas - em mais de três anos. Como a maioria dos
alunos dos cursos noturnos trabalha, é grande o número
dos que chegam atrasados e cansados às salas, o que
compromete a aprendizagem. Por isso, o CNE quer
diminuir o número de aulas por dia e ampliar o prazo de
duração do curso para mais de três anos.
Os especialistas em educação receberam as mudanças
no ensino médio com reservas. Segundo eles, por mais
que as novas diretrizes do CNE possam abrir caminho
para um ensino motivador, criativo e interdisciplinar, elas
deveriam ter sido objeto de experiências prévias, para
evitar problemas de implementação. "O ideal seria aplicar
a flexibilização do currículo em alguns Estados,
primeiramente", diz o professor Marcelo Néri, da FGV.
Os especialistas também temem que os currículos sejam
reformulados apressadamente, com improvisações e
concessões a modismos pedagógicos e mercadológicos.
Além disso, as novas diretrizes exigem um projeto de
requalificação dos professores, laboratórios equipados e
bibliotecas atualizadas - e os municípios de pequeno porte
e os Estados mais pobres não dispõem de recursos
financeiros suficientes para ampliar os gastos com
educação.
As novas regras - que agora só dependem de
homologação pelo ministro da Educação, Fernando
Haddad, para entrar em vigor - eram aguardadas há muito
tempo. A flexibilização do currículo do ensino médio está
prevista pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que
entrou em vigor em dezembro de 1996. O CNE deu um
passo importante para tentar melhorar a qualidade do
ensino médio, mas só o tempo dirá se o caminho escolhido
é o melhor.

Prazo de validade

Prazo de validade
TONICO PEREIRA
Oensino no Brasil, há muito
tempo, não sobrevive em excelência,
apesar da boa vontade de alguns
(Anísio Teixeira, Paulo Freire e
Darcy Ribeiro). A má vontade de
muitos, que não gerenciam bem a
matéria, às vezes por falta de
recursos, outras por falta de vontade
política ou por desonestidade
mesmo, impede a excelência de
sobreviver na nossa rede de ensino.
A partir dessa constatação, resumida
e verdadeira, resolvi sonhar com um
ensino autossustentável
financeiramente e que se fizesse
interessante o suficiente para a
vontade política torná-lo prioridade
e includente de todas as classes
sociais, sem lançar mão de um
raciocínio cotista e simplista onde
habita o berço/raiz da discriminação.
Ao combater uma discriminação não
devemos usar outra como linha de
pensamento contrário, mas sim
lançar mão de horizontes mais largos,
como um verdadeiro Mandela, líder
sim de um povo e não de uma raça
— se é que existem raças onde
sobrevive o homem.
Vou tentar agora materializar meu
sonho com o meu parco
conhecimento matemático, mas
tendo a imaginação que Deus me
deu como aliada. Salve a
imaginação!
Seria mais ou menos assim: todos
os formados em universidades
federais, estaduais e municipais
passariam a contribuir através de um
carnê, de valor insignificante e
apenas simbólico para quem
contribui, mas de altíssima
significância para o ensino brasileiro,
e que não excederia a 1% de um
salário mínimo por mês durante todo
o tempo de vida profissional útil do
exuniversitário (desde que
empregado). Recursos estes que
deveriam ser gerenciados por uma
fundação de abrangência nacional e
revertidos sistematicamente em
caráter exclusivo ao ensino
fundamental, médio e superior.
Transformando em cidadãos a nossa
juventude e funcionando como
contrapartida automática e justa sem
lançar mão de recursos
discriminatórios (cotas) que nos
levam — aí sim — ao conceito e
aceitação de cidadãos de segunda
classe, que nós brasileiros temos de
recusar peremptoriamente, pois o
que queremos é sonhar e realizar a
integração maior do nosso povo, não
só no carnaval e no futebol, mas,
principalmente, nas salas de aula,
essência maior do cidadão.
Eu reconheço no ser humano a
capacidade de ser fundamentalmente
e prioritariamente uno e só por isso
me encorajo a ponto de externar a
minha posição sincera e sem
subterfúgios, mas é claro que existem
urgências que necessitam ser sanadas
imediatamente. Que não poderiam
esperar o tempo necessário para
implantação desta proposta,
portanto, até lá, poderíamos
conviver com o sistema de cotas,
desde que tenha um prazo de
validade de alguns anos proposto por
alguém de direito e conhecimento.
O resto é anomalia e ignorância.
E, mais uma vez, se me permitem
brancos, negros, índios, imigrantes
em geral, pobres e ricos: viva
Mandela!
TONICO PEREIRA é ator.

"A escassez de mão de obra qualificada vai acabar"

Fernando Haddad, ministro da Educação
"A escassez de mão de obra
qualificada vai acabar"
Ao anunciar o projeto de lei
para criar o Programa Nacional
de Acesso ao Ensino Técnico
(Pronatec), em 27 de abril, a
presidente Dilma Rousseff
admitiu que a capacitação da
mão de obra já não atende às
necessidades do País
Por Denize Bacoccina e Guilherme
Queiroz
A dura missão de recuperar o
atraso nessa área está nas mãos do
ministro da Educação, Fernando
Haddad. Ele pretende expandir de
um milhão para três milhões o número
de pessoas preparadas no ensino
técnico, que terá um investimento
de R$ 1 bilhão para aumentar a
oferta de bolsas e de crédito para
estudantes. Em entrevista exclusiva
à DINHEIRO, Haddad afirma que
os resultados desse programa poderão
ser vistos dentro de alguns
anos.
DINHEIRO – No lançamento
do Pronatec, a presidente
Dilma admitiu a dificuldade enfrentada
pelas empresas para encontrar
mão de obra qualificada.
O programa acabará com isso?
Em quanto tempo?
FERNANDO HADDAD – Ao
longo da última década, nós mais que
dobramos o número de técnicos formados
no Brasil e triplicamos o número
de graduados. Tenho dito que
esse esforço vai produzir efeitos de
curto prazo e as empresas vão sentir
a diferença. Significa dizer que essa
sensação de escassez de mão de
obra seria muito pior se o esforço
de expansão não tivesse sido feito.
Se nos lembrarmos que, há 30 anos,
os engenheiros formados não tinham
mercado para trabalhar, o cenário
hoje é muito melhor. Estamos num
ponto em que as empresas ainda se
ressentem da falta dessa mão de obra
especializada, mas essa sensação vai
melhorar.
DINHEIRO – Mas a sensação
entre muitos empresários é a
oposta, de que haverá um déficit
ainda maior.
HADDAD – As nossas projeções
indicam o contrário. A decisão de
expandir as universidades federais foi
tomada em 2005. De lá para cá,
dobramos as vagas de ingresso, que
eram em torno de 110 mil e são agora
220 mil. Pode-se dizer que esse número
já deveria ter atenuado a sensação
de déficit, mas é preciso cinco
anos para formar um engenheiro.
Por isso, digo que a sensação vai
diminuir. Hoje muitos investimentos
em educação estão maturando.
"Queremos condicionar o seguro-desemprego
à frequência em cursos"
Fila de trabalhadores requerendo o
seguro-desemprego em São Paulo
DINHEIRO – De que modo
essa deficiência na qualificação
atrapalha o desenvolvimento do
País?
HADDAD – Em todos os sentidos,
sobretudo quando se está num
ciclo de crescimento. Quando a economia
não cresce, como ocorreu nas
décadas de 1980 e 1990, não se
nota isso porque se está
“subcontratando”. É o caso do engenheiro
que abre uma loja de sucos
porque não tem mercado. Quando
a economia passa a crescer, há um
custo associado ao déficit de qualificação.
Mas, a sensação de es-cassez
de mão de obra qualificada vai diminuir
porque hoje estamos formando
muito mais do que no passado recente.
DINHEIRO – Mas o quadro
já pode ser considerado bom?
HADDAD – Diria que há setores
que ainda se ressentem muito da
falta de qualificação. Mas, no curto
prazo, vai melhorar. Sobretudo, porque
o Pronatec foi lançado para uma
área onde ainda não tínhamos um
ENTREVISTA
Continua
11/05/11
programa de grande porte, ou seja,
em qualificação. Muitas vezes, o que
falta é o profissional de nível médio
com um preparo mais específico. Os
números mostram. Desde 2005, tivemos
seis milhões de matrículas no
ensino superior e um milhão de matrículas
no ensino técnico.
"Houve uma ampliação de 23% nas
vagas gratuitas do Sistema S, pelo Senai
e pelo Senac"
Aluna durante aula em escola do Senai
DINHEIRO – Por que essa diferença
tão grande entre os números
de matrículas?
HADDAD – Porque começamos
a expandir a rede técnica apenas
muito recentemente, começando
pelo acordo com o Sistema S ( formado
por entidades como o Sesc,
Senac, Senai e Sesi, entre outras,
com recursos extraídos do
faturamento das empresas, com a finalidade
de qualificar e promover o
bem-estar social de seus funcionários),
que já teve um impacto formidável
na qualificação. Em 2010, tivemos
uma ampliação de 23% das
vagas gratuitas oferecidas no Sistema
S, pelo Senai e pelo Senac. Pelo
programa Brasil Profissionalizado, foi
feita a reestruturação do ensino médio
técnico estadual. De técnicos, já
estamos formando mais de um milhão
por ano, sem contar quem sai
de cursos de qualificação.
DINHEIRO – O governo espera
elevar o atual um milhão de
alunos no ensino técnico para
quanto?
HADDAD – Temos a meta de
dobrar, que está no Plano de Desenvolvimento
da Educação (PNE), até
2020. Mas eu imagino que possamos
triplicar o número de matrículas,
superando três milhões no fim da
década.
DINHEIRO – Como vai ser a
participação do Sistema S e do setor
privado, de um modo geral
no Pronatec?
HADDAD – O setor privado vai
poder utilizar o financiamento estudantil
para empresas que queiram
qualificar seus funcionários nas escolas
credenciadas pelo MEC. Neste
ano, já teremos de cara R$ 300 milhões,
mas o ministro Guido Mantega
(Fazenda) já sinalizou que, como se
trata de um financiamento, esses recursos
podem subir. E os juros são
muito vantajosos, de 3,4% ao ano,
negativos em termos reais. Temos
um acordo, ainda, com o Sistema S,
que manda destinar, até 2014, dois
terços da contribuição compulsória,
que incide sobre a folha, para cursos
gratuitos. Temos também a expansão
da rede federal, que hoje
conta com 354 unidades, sendo que
214 foram construídas no governo
do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e a presidente Dilma autorizou
mais 200 até 2014. Isso porque o
programa de Financiamento Estudantil
(Fies) para ensino superior tem
mais demanda do que oferta. Temos
um orçamento de mais de R$ 2 bilhões
em convênios firmados, desde
2009.
DINHEIRO – Qual é o orçamento
desses projetos?
HADDAD – Se considerarmos
todos os programas ligados ao
Pronatec, incluindo o que a União vai
investir, o Sistema S e os recursos
do Fies, dá mais de R$ 10 bilhões.
São recursos novos, além dos R$ 60
bilhões de orçamento do Ministério
da Educação.
DINHEIRO – Como se definem
os cursos que serão criados
e onde?
HADDAD – Infelizmente, teremos
de começar onde houver capacidade
de oferta. Temos poucas escolas
técnicas no Brasil e, à luz das
necessidades, deveríamos ter o dobro
ou o triplo do atual. Mas o
Pronatec vai favorecer a expansão
da oferta porque o BNDES terá uma
linha de financiamento para ampliação
da rede física. Do lado da demanda,
haverá as bolsas e o financiamento
estudantil para as empresas.
Então, temos uma combinação virtuosa
de oferta e demanda. Nos próximos
anos, teremos mais pessoal
capacitado, tanto para a construção
civil, que está com um gargalo enorme,
quanto para outras áreas técnicas.
DINHEIRO – Mesmo perto do
pleno emprego, não houve queda
nos gastos com seguro-desemprego.
A qualificação melhora isso?
HADDAD – Algo que estamos
pensando é condicionar a concessão
do seguro-desemprego à frequência
em cursos profissionalizantes, sobre-
Continuação
Continuação 11/05/11
tudo para os reincidentes. A lei autoriza
a União a condicionar o pagamento
do benefício ao comparecimento
a um curso. Não vamos negar
o benefício ao desempregado,
mas ao fazer o curso de qualificação
o trabalhador reduz a chance de voltar
a depender desse dinheiro. Hoje
o seguro-desemprego consome R$
24 bilhões.
DINHEIRO – Como o Brasil
se compara com outros países na
formação de mão de obra?
HADDAD – Isso depende para
onde olhamos. Tanto do ponto de
vista qualitativo como do quantitativo,
a educação brasileira está sendo
notada pelos organismos internacionais,
como os da OCDE, do Banco
Mundial, da Unesco. Por exemplo,
o Banco Mundial destacou o aumento
da escolaridade brasileira, que
superou em proporção ao da China.
O da OCDE coloca o Brasil entre
os países que mais evoluíram em
qualidade na década, embora partindo
de um patamar ainda baixo. Há
um certo consenso de que nós tiramos
a educação brasileira da inércia.
Nos últimos cinco anos, nós elevamos
em um ponto porcentual o
investimento em educação em relação
ao PIB, de 4% para 5% do PIB.
DINHEIRO – A meta é chegar
a quanto?
HADDAD – A ideia é chegar em
7% até o fim da década. O PNE está
agora no Congresso Nacional, onde
vamos discutir quando vamos chegar
a 7%.
DINHEIRO – O relatório do
Banco Mundial diz que o Brasil
investe tanto quanto outros países,
só que com maus resultados...
HADDAD – Vamos ponderar.
Educação não se compra à vista nem
em suaves prestações. Não adianta
chegar a 5% do PIB. A questão é
durante quanto tempo se investiu 5%
do PIB e essa é a pergunta que o
relatório não faz. É um fruto que se
colhe numa geração. Só agora começamos
a investir isso. Os outros
países já investem esse percentual há
décadas. E, no século passado, o
Brasil investiu cerca de 2% do PIB.
Não é em um ano que vamos pagar
uma dívida de 100 anos.
DINHEIRO – Os empresários
se queixam muito da distância
entre o currículo das universidades
e a realidade da indústria.
O sr. concorda?
HADDAD – O plano de expansão
previa também a reestruturação
curricular. Essa dimensão não foi tão
valorizada pelas universidades quanto
a expansão. Isso é correto afirmar.
Mas há universidades que têm
projetos pedagógicos diferenciados.
DINHEIRO – A presidente
Dilma anunciou 75 mil bolsas
para formação no Exterior na
área de exatas até 2014 e pediu
que o setor privado financie mais
25 mil. Já tem empresas interessadas
nesta parceria?
HADDAD – Ainda não deu tempo,
vamos começar a conversar com
as empresas agora. Vamos dividir
essas bolsas principalmente em duas
categorias: bolsas de doutorado e
uma graduação sanduíche, na qual o
aluno faz um ano da graduação numa
instituição parceira no exterior. Isso
tem um impacto muito grande na
volta, pela experiência que ele viveu,
e os custos são relativamente baixos.
Hoje temos cerca de 5,5 mil estudantes
em intercâmbio no Exterior e
queremos aumentar para 100 mil até
2014.





Comissão discute o Plano Nacional de Educação

A comissão especial sobre o Plano Nacional de Educação (PNE ‐ PL 8035/10) realiza audiência
pública nesta quarta‐feira (11) sobre a qualidade da educação. O debate foi proposto pelo
relator da comissão, deputado Angelo Vanhoni (PT‐PR). A comissão é presidida pelo deputado
Gastão Vieira (PMDB‐MA).
Foram convidados representantes da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação
(Undime), do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do Movimento Todos pela Educação.
A comissão
Instalada em 13 de abril, a comissão analisa a proposta de política educacional do governo
para o decênio 2011‐2020. O projeto estabelece que 7% do Produto Interno Bruto (PIB) será
investido em educação ao longo desse período. Esse mesmo percentual já estava previsto no
PNE anterior (2001‐2010), mas entidades que atuam na área afirmam que a meta não foi
cumprida. Pelos cálculos do Ministério da Educação, a implantação do novo plano custará R$
80 bilhões. A edição de um novo Plano Nacional de Educação a cada década está prevista na
Constituição.
A reunião será realizada às 14h30 no plenário 10.

Fonte: e-mail secretaria do MIEIB.



sábado, 30 de abril de 2011

Comissão Especial define prazo para apresentação de emendas ao PNE

A Comissão Especial do PL 8035/2010 Plano Nacional de Educação se reuniu pela primeira vez desde a instalação, no último dia 13. Os deputados traçaram os caminhos que devem seguir para análise do Projeto e definiram o período para apresentação de emendas. Será entre os dias 20 de maio e 15 de junho. Saiba mais sobre as emendas elaboradas pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação. 

O relator da comissão, deputado Angelo Vanhoni (PT/PR), expôs a ideia de que sejam realizadas audiências públicas nos estados, na Câmara dos Deputados e Seminários, também na Câmara.

Ficou acertado que os deputados da Comissão se dividam, de acordo com o estado que representam para, juntos, apresentar datas para as audiências nas capitais. Preferencialmente nas Assembléias Legislativas. A intenção é que as populações dos estados se engajem ao tema. Também foram determinadas quatro audiências públicas. A primeira, no dia 11 de maio, com o tema Qualidade. A segunda, no dia 18 de maio, para tratar exclusivamente de Expansão e Universalização. A terceira, também em maio, no dia 25. Esta terá o tema Financiamento. A quarta e última audiência pública já acordada será em junho, em data não definida, para tratar de Gestão.

Mesmo com essas audiências públicas definidas, os deputados poderão apresentar pedidos de novas audiências, com temas diferentes, para aprovação da Comissão. Já foi cogitada, por exemplo, uma audiência pública na Câmara para tratar do Piso Salarial Nacional dos professores e um requerimento para que sejam realizadas audiências nas principais cidades de alguns estados. Pedidos como estes serão analisados hoje (27/04), na Comissão.

Além das datas das audiências públicas, os deputados definiram quando serão realizadas os dois Seminários propostos. Dias primeiro e oito de junho. Um deles deverá ouvir especialistas na área de educação sobre o PNE e outro para ouvir pessoas ou entidades que queiram participar do debate. A Undime foi citada várias vezes pelos deputados, quando falavam da importância da participação da sociedade organizada do setor. 

A deputada Fátima Bezerra (PT/RN), que preside a Comissão de Educação e faz parte da Comissão Especial, levantou a possibilidade de que o relatório do PNE seja votado, em caráter terminativo, até o mês de agosto. Depois disso, o texto segue direto para o Senado. Mas esse tempo pré-estabelecido foi questionado por alguns parlamentares. Disseram que tudo vai depender do trabalho do relator que, por sua vez, vai ter de esperar o resultado das audiências públicas e dos seminários. Por isso, segundo eles, não há como prever quando o relatório será votado. De qualquer forma, os deputados decidiram conversar com o Senado sobre o PNE ao mesmo tempo que analisam o PL. Isso, para quando o texto sair da Câmara, os senadores já tenham ideia do que vão votar. E, por isso,  teoricamente, teriam menos problemas para aprovação ou apresentação de novas emendas.

Fonte: Undime.

29/04/2011 - Financiamento e falta de diagnóstico marcam discussões na Comissão Especial do PNEA Comissão Especial do Plano Nacional de Educação reuniu 29 deputados na tarde desta quarta-feira para aprovar requerimentos e conhecer detalhes do PL 8035/2010. A Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados esmiuçou as 20 metas estabelecidas pelo Ministério da Educação no Plano, de forma didática, e tirou dúvidas dos parlamentares. As principais discussões ficaram em torno do financiamento e da falta de um diagnóstico do PNE. O presidente da Comissão, deputado Gastão Vieira (PMDB/MA), falou sobre este problema. E mandou um recado a técnicos do MEC que assistiam à reunião. "Eu quero fazer um apelo aos representantes do Ministério da Educação. Há uma solicitação nesse sentido (de apresentação de um diagnóstico pelo ministério) do deputado Nelson Marchezan Junior (PSDB/RS) e que vai completar seis meses sem o Ministério da Educação se pronunciar". Os deputados entendem que o trabalho da Comissão só será possível depois da apresentação deste diagnóstico, ou seja, um documento que detalhe a atual situação da educação brasileira, com os avanços alcançados, ou não, depois da adoção do PNE 2001/2010. Isso iria nortear os trabalhos, como ponto de partida. Segundo do deputado Paulo Rubem Santiago (PDT/PE), é grave a inexistência do documento. "A proposta do Plano Nacional de Educação para um país com dimensões continentais como o Brasil, não só deve-se iniciar com um diagnóstico, mas com vários. Deve fundamentar, do ponto de vista filosófico, o papel da educação na sociedade, o papel na escola. Não há qualquer referência (no PL apresentado pelo MEC) ao papel do Plano Nacional de Educação em um projeto estratégico de nação brasileira para os brasileiros e para o mundo". Mas o tema mais debatido foi o financiamento, previsto na meta 20 do Projeto de Lei do PNE:"Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir, no mínimo, o patamar de sete por cento do produto interno bruto do País". O consultor legislativo Ricardo Chaves Rezende Martins e os deputados disseram sentir falta de um apontamento da responsabilidade de cada ente da federação para o financiamento. Segundo eles, o texto deve indicar qual será a participação dos governos federal, estaduais e municipais. Há uma desproporcionalidade entre um e outro. Enquanto a União arca com 1,2% do total, os estados bancam 2,4%, e os municípios, 2,2% da conta (dados de 2009). A ideia é desonerar os municípios com uma fatia maior para a União. O percentual de 7% também foi questionado e promete ser um dos principais temas a ser discutidos pela Comissão. "Para a gente fechar essa conta (do financiamento do PNE), vamos ter de, após um bom estudo que nós vamos fazer, chegar a um entendimento de qual é o financiamento necessário para as metas que a gente vai colocar no novo Plano Nacional de Educação", afirmou a deputada Fátima Bezerra (PT/RN). Para o deputado Paulo Rubem Santiago, a Comissão Especial deve se aprofundar na discussão do financiamento. Segundo ele, os deputados não podem se ater apenas ao percentual que o Plano deve estipular. "Eu não aceito discutir um financiamento do Plano Nacional de Educação se não discutirmos a reorientação de um pacto da política macroeconômica que transfere renda à sociedade prometendo imediatismo e que não está nem aí para escola pública porque o seu filho estuda em escola privada." Já o deputado Newton Lima (PT/SP) diz que a discussão não pode ficar apenas entre o Ministério da Educação, organizações ligadas à educação, sociedade e Congresso Nacional. Ele protocolou um requerimento para que a Comissão ouça três ministros; Das Comunicações: "nós precisamos discutir como a banda larga vai, de fato, conversar com o Plano Nacional de Educação. É, na minha opinião, um instrumento importante e deve se transformar em meta". Da Ciência e Tecnologia: "É indispensável dizer a importância do ministro da Ciência e Tecnologia na discussão do PNE." E da Cultura: "Precisamos conhecer, do Ministério da Cultura, como vê o PNE nas suas 20 metas. Penso que, com isso, estaremos enriquecendo o trabalho", disse o deputado. A Comissão irá se reunir todas as quartas-feiras, sempre às 14h30. Fonte: Undime.

A Comissão Especial do Plano Nacional de Educação reuniu 29 deputados na tarde desta quarta-feira para aprovar requerimentos e conhecer detalhes do PL 8035/2010. A Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados esmiuçou as 20 metas estabelecidas pelo Ministério da Educação no Plano, de forma didática, e tirou dúvidas dos parlamentares. As principais discussões ficaram em torno do financiamento e da falta de um diagnóstico do PNE.

O presidente da Comissão, deputado Gastão Vieira (PMDB/MA), falou sobre este problema. E mandou um recado a técnicos do MEC que assistiam à reunião. "Eu quero fazer um apelo aos representantes do Ministério da Educação. Há uma solicitação nesse sentido (de apresentação de um diagnóstico pelo ministério) do deputado Nelson Marchezan Junior (PSDB/RS) e que vai completar seis meses sem o Ministério da Educação se pronunciar".

Os deputados entendem que o trabalho da Comissão só será possível depois da apresentação deste diagnóstico, ou seja, um documento que detalhe a atual situação da educação brasileira, com os avanços alcançados, ou não, depois da adoção do PNE 2001/2010. Isso iria nortear os trabalhos, como ponto de partida. 

Segundo do deputado Paulo Rubem Santiago (PDT/PE), é grave a inexistência do documento. "A proposta do Plano Nacional de Educação para um país com dimensões continentais como o Brasil, não só deve-se iniciar com um diagnóstico, mas com vários. Deve fundamentar, do ponto de vista filosófico, o papel da educação na sociedade, o papel na escola. Não há qualquer referência (no PL apresentado pelo MEC) ao papel do Plano Nacional de Educação em um projeto estratégico de nação brasileira para os brasileiros e para o mundo". 

Mas o tema mais debatido foi o financiamento, previsto na meta 20 do Projeto de Lei do PNE:"Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir, no mínimo, o patamar de sete por cento do produto interno bruto do País". O consultor legislativo Ricardo Chaves Rezende Martins e os deputados disseram sentir falta de um apontamento da responsabilidade de cada ente da federação para o financiamento. Segundo eles, o texto deve indicar qual será a participação dos governos federal, estaduais e municipais. Há uma desproporcionalidade entre um e outro. Enquanto a União arca com 1,2% do total, os estados bancam 2,4%, e os municípios, 2,2% da conta (dados de 2009). A ideia é desonerar os municípios com uma fatia maior para a União.

O percentual de 7% também foi questionado e promete ser um dos principais temas a ser discutidos pela Comissão. "Para a gente fechar essa conta (do financiamento do PNE), vamos ter de, após um bom estudo que nós vamos fazer, chegar a um entendimento de qual é o financiamento necessário para as metas que a gente vai colocar no novo Plano Nacional de Educação", afirmou a deputada Fátima Bezerra (PT/RN). 

Para o deputado Paulo Rubem Santiago, a Comissão Especial deve se aprofundar na discussão do financiamento. Segundo ele, os deputados não podem se ater apenas ao percentual que o Plano deve estipular. "Eu não aceito discutir um financiamento do Plano Nacional de Educação se não discutirmos a reorientação de um pacto da política macroeconômica que transfere renda à sociedade prometendo imediatismo e que não está nem aí para escola pública porque o seu filho estuda em escola privada." 

Já o deputado Newton Lima (PT/SP) diz que a discussão não pode ficar apenas entre o Ministério da Educação, organizações ligadas à educação, sociedade e Congresso Nacional. Ele protocolou um requerimento para que a Comissão ouça três ministros;

Das Comunicações: "nós precisamos discutir como a banda larga vai, de fato, conversar com o Plano Nacional de Educação. É, na minha opinião, um instrumento importante e deve se transformar em meta".

Da Ciência e Tecnologia: "É indispensável dizer a importância do ministro da Ciência e Tecnologia na discussão do PNE."

E da Cultura: "Precisamos conhecer, do Ministério da Cultura, como vê o PNE nas suas 20 metas. Penso que, com isso, estaremos enriquecendo o trabalho", disse o deputado.

A Comissão irá se reunir todas as quartas-feiras, sempre às 14h30.

Fonte: Undime.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Unesp lança site com livros gratuitos para download

Literatura, geografia, música, teatro e psicologia estão entre temas abordados

da redação | 27/04/2011 12h 30
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) lançou hoje (27) um site com 50 livros digitais inéditos para download gratuito. Os livros podem ser baixados no site Cultura Acadêmica.
O portal da pró-reitoria de pós-graduação da Unesp oferece somente livros da editora Cultura Acadêmica, da própria Unesp. É preciso fazer um cadastro para poder baixar os livros, mas tudo é gratuito.
Os temas vão desde literatura e comunicação até Psicologia e Geografia. Veja a lista completa de livros.

Fundação premia projetos que promovem uso pedagógico das tecnologias de informação

Educarede recebe, até 2 de maio, inscrições para concurso internacional promovido pela Fundação Telefônica. O Prêmio Internacional EducaRede busca incentivar o trabalho de equipe no uso de tecnologias de informação em sala de aula.
Estudantes e professores podem participar do concurso enviando projetos com ferramentas pedagógicas como “blogs, wikis, trabalhos com Google docs, canais de podcast ou de YouTube, além de usos didáticos das redes sociais e mais”.
O Prêmio Internacional EducaRede tem a finalidade de promover o uso pedagógico das tecnologias de informação, buscar conscientizar a comunidade educativa sobre o valor potencial destas tecnologias, colocar a seu alcance iniciativas e atividades relacionadas com esses objetivos e reconhecer o esforço do professorado por introduzi-las nos processos de ensino e aprendizagem.
Para participar acesse www.educared.org/premiointernacional.
Mais informações:
E-mail: premiointernacional@educared.org
Skype: certamen.educared
MSN: premiointernacional
Com informações da assessoria de imprensa

terça-feira, 26 de abril de 2011

Meio e Linguagem

Meio e Linguagem
Se há um ramo fervilhante na ciência hoje, é o da linguística. É incrível como essa disciplina, até alguns anos atrás um bastião das humanidades, estrategicamente encravada nos departamentos de letras das universidades, se tornou uma ciência dura, capaz de, no melhor estilo popperiano, produzir previsões falseáveis e que comporta sofisticadas análises estatísticas. Beneficiária direta de avanços em dois dos mais dinâmicos ramos do saber --a neurociência e a computação--, a linguística se tornou frequentadora contumaz das principais revistas científicas. Na semana passada, ela marcava presença tanto na "Nature", com um artigo de Michael Dunn sobre a ordem das palavras em várias famílias de idiomas, e na "Science", com um trabalho de Quentin Atkinson sugestivo de que a linguagem humana surgiu na África.
Mais tarde volto a esses trabalhos. Antes, acho importante mencionar que um dos principais responsáveis pela conversão da linguística em ciência dura foi Noam Chomsky (1928 -), com sua teoria da Gramática Universal, segundo a qual seres humanos já nascem equipados com um "hardware" linguístico em seus cérebros, isto é, geneticamente dotados de alguns princípios gramaticais comuns a todos os idiomas.
Há de fato boas evidências em favor da tese. A mais forte delas é o fato de que a linguagem é um universal humano. Não há povo sobre a terra que não tenha desenvolvido uma, diferentemente da escrita, que foi "criada" de forma independente não mais do que meia dúzia de vezes em toda a história da humanidade.
Também diferentemente da escrita, que precisa ser ensinada, basta colocar uma criança em contato com um idioma para que ela o aprenda quase sozinha. Mais até, o fenômeno das línguas crioulas mostra que pessoas expostas a pídgins (jargões comerciais normalmente falados em portos e que misturam vários idiomas) acabam desenvolvendo, no espaço de uma geração, uma gramática para essa nova linguagem, como mostram os trabalhos de Derek Bickerton. Outra prova curiosa é a constatação de que bebês surdos-mudos "balbuciam" com as mãos exatamente como o fazem com a voz as crianças falantes.
O principal argumento lógico usado por Chomsky em favor do inatismo linguístico é o chamado Pots, sigla inglesa para "pobreza do estímulo" (poverty of the stimulus). Em grandes linhas, ele reza que as línguas naturais apresentam padrões que não poderiam ser aprendidos apenas por exemplos positivos, isto é, pelas sentenças "corretas" às quais as crianças são expostas. Para adquirir o domínio sobre o idioma elas teriam também de ser apresentadas a contraexemplos, ou seja, a frases sem sentido gramatical, o que raramente ocorre. Como é fato que os pequeninos desenvolvem a fala praticamente sozinhos, Chomsky conclui que já nascem com uma capacidade inata para o aprendizado linguístico, um instinto da linguagem.
Embora essa teoria jamais tenha tido aceitação incondicional, ela se tornou o "mainstream" na linguística norte-americana. Mesmo os que discordam do modelo ou colocam ênfase em outros pontos acabam tendo de dialogar nos termos colocados pelos gerativistas, como são conhecidos os linguistas que embarcaram nos programas de pesquisa levantados pela Gramática Universal.
Os dois trabalhos publicados na semana passada, como muitos outros, lançam desafios ao modelo chomskyano. Comecemos pelo mais simples --e menos problemático--, que é o de Atkinson. Esse pesquisador da Universidade de Auckland trabalha com a ideia de que línguas se comportam como seres vivos. Partindo da hipótese de que, a exemplo do que ocorre com populações animais, que têm seu "pool" genético reduzido pelo isolamento, idiomas têm seu repertório de fonemas empobrecido à medida que se afastam de seu local (e população) de origem. Testou 504 línguas e concluiu que a origem mais provável para todas elas era algum ponto da África meridional.
A linha-dura chomskyana, notadamente o linguista Mark Lieberman, questiona não só as premissas como também os resultados de Atkinson. O ponto central da discórdia é a forma de computar a diversidade fonêmica. A questão não é trivial, em especial quando se considera que a estrutura de sons de um idioma pode ser fruto tanto de uma herança quanto de uma inovação da própria língua. A analogia entre idioma e ser vivo só funciona até certo ponto.
De toda maneira, mesmo que chegássemos à extraordinária conclusão de que a língua humana surgiu uma única vez na África e daí foi exportada para todas as regiões do planeta, isso não constituiria um golpe fatal na Gramática Universal. É verdade que seria mais elegante para a teoria se idiomas tivessem múltiplas origens independentes umas das outras, mas os pressupostos do modelo não dependem disso. A universalidade da linguagem e o Pots continuariam vivos --e bem.
O artigo de Dunn, pesquisador do Instituto Max Planck de Psicolinguística, da Holanda, é mais complicado. Um dos pontos centrais do programa chomskyano tem sido o de que a sintaxe em qualquer idioma obedece a alguns parâmetros inatos, isto é, a restrições impostas pela Gramática Universal, que se materializam na ordem em que as palavras aparecem. Um exemplo: se o idioma é do tipo SVO (em que que sujeito costuma aparecer antes do verbo, o qual, por sua vez, antecede o objeto), então nele ocorrem preposições (termos como "para", "em", "sobre" são colocadas antes do substantivo que modificam). Se ele é SOV (sujeito, objeto, verbo), então temos posposições (os equivalentes de "para", "em", "sobre" vêm depois do substantivo). Versões mais "light" do modelo, como a proposta por Joseph Greenberg, trocam as restrições absolutas por tendências estatísticas.
O que Dunn fez foi estudar as correlações possíveis entre oito generalizações desse tipo em vários idiomas e descobriu que elas são significativas dentro de cada uma das quatro famílias linguísticas estudadas, mas não entre as linhagens, isto é, de forma universal. É um belo golpe contra o modelo chomskyano, em suas versões fortes ou fracas. O fato de o vínculo ser observado apenas dentro de cada família sugere que a estrutura profunda das línguas não é determinada por parâmetros universais, mas pela evolução cultural.
Os gerativistas estão certamente preparando sua artilharia. Sempre irônico, Lieberman já disse que achou o estudo muito interessante, mas duvida de seus resultados. As próximas semanas deverão ser agitadas nos blogs de linguística. Pelo que pude antever, a discussão terá altos teores de estatística, o que a tornará meio metafísica para nós, mortais comuns.
E esses são apenas os mais recentes numa série de ataques que o modelo vem recebendo. Em 2005, Daniel Everett um ex-missionário e linguista que trabalha com a tribo dos pirahãs, na Amazônia, relatou uma série de peculiaridades no idioma que desafiam pontos-chave da Gramática Universal. Eles não têm, por exemplo, palavras para cores, nem tempos verbais e só contam até três. A língua pirahã também desconheceria a recursividade, isto é, a capacidade de formar um número potencialmente infinito de sentenças encaixando uma frase na outra. Chomsky chamou Everett, seu ex-protegido, de charlatão. Foi um bafafá.
De modo mais equilibrado e baseados em novas e interessantíssimas pesquisas, linguistas como Lera Boroditsky e Guy Deutscher têm defendido que a linguagem é capaz de moldar o pensamento. Eles recolocam, ainda que de forma extremamente atenuada, quase razoável, a velha hipótese Sapir-Whorf, que era anátema nos meios chomskyanos. Se um dia faltar assunto, comento o delicioso livro de Deutscher.
O paradigma da Gramática Universal está em crise? A pergunta é boa, mas difícil de responder. Não podemos, é claro, descartar a hipótese de que o modelo sucumba ao peso de evidências devastadoras e venha a ser eventualmente substituído. Mas outra possibilidade, que me parece bem mais provável, é que a parte mais substancial da teoria sobreviva aos ataques e deles saia mais robusta, ainda que seja forçada a sacrificar algo do inatismo em favor de mais de espaço para características culturais. Seja como for, estamos diante da ciência em ação. É um contraste e tanto com o marasmo que vem notabilizando as ciências humanas nos últimos tempos.
 
Hélio Schwartsman, 44 anos, é articulista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha.com.

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FONTE: e-mail de Eliane Maciel